Polícia Comunitária

POLÍCIA COMUNITÁRIA

A filosofia de Polícia Comunitária visa a participação social, envolvendo todas as forças vivas da comunidade, na busca de mais segurança e nos serviços ligados ao bem comum.

A Polícia Comunitária é pertinente a Instituição Policial, envolvendo ações de policiamento ostensivo (Polícia Militar) e investigativo (Polícia Civil) e contando com a parceria da comunidade na busca de soluções criativas para solução de seus problemas.

A Constituição Federal no seu Art. 144, define as 5 (cinco) Polícias que tem existência legal, não deixando qualquer dúvida a respeito.

O mesmo Art. 144, diz que a segurança pública é direito e responsabilidade de todos, o que nos leva a inferir que além dos policiais, cabe a qualquer cidadão uma parcela de responsabilidade pela segurança.

O cidadão na medida de sua capacidade, competência, e da natureza de seu trabalho, bem como, em função das solicitações da própria comunidade, deve colaborar, no que puder, na segurança e no bem estar coletivo. A pretensão é procurar congregar todos os cidadãos da comunidade através do trabalho da Polícia, no esforço da segurança.

O espírito de Polícia Comunitária que apregoa-se expressa de acordo com as seguintes idéias:

  • A primeira imagem da Polícia é formada na família;
  • A Polícia protetora e amiga transmitirá na família, imagem favorável que será transferida às crianças desenvolvendo-se um traço na cultura da comunidade que aproximará as pessoas da organização policial;
  • O Policial, junto à comunidade, além de garantir segurança, deverá exercer função didático-pedagógica, visando a orientar na educação e no sentido da solidariedade social;
  • A orientação educacional do policial deverá objetivar o respeito à “Ordem Jurídica” e aos direitos fundamentais estabelecidos na Constituição Federal;
  • A expectativa da comunidade de ter no policial o cidadão íntegro, homem interessado na preservação do ambiente, no socorro em calamidades públicas, nas ações de defesa civil, na proteção e orientação do trânsito, no transporte de feridos em acidentes ou vítimas de delitos, nos salvamentos e combates a incêndios;
  • A participação do cidadão se dá de forma permanente, constante e motivadora, buscando melhorar a qualidade de vida.

Na prática Polícia Comunitária (como filosofia de trabalho) difere do Policiamento Comunitário (ação de policiar junto a comunidade). Aquela deve ser interpretada como filosofia organizacional indistinta a todos os órgãos de Policia, esta pertinente às ações efetivas com a comunidade.

A idéia central da Polícia Comunitária reside na possibilidade de propiciar uma aproximação dos profissionais de segurança junto à comunidade onde atua, dando características humanas ao profissional de polícia, e não apenas um número de telefone ou uma instalação física referencial, realizando um amplo trabalho sistemático, planejado e detalhado.

O Policiamento Comunitário é uma maneira inovadora e mais poderosa de concentrar as energias e os talentos do departamento policial na direção das condições que freqüentemente dão origem ao crime e a repetidas chamadas por auxílio local.

Polícia Comunitária é uma atitude, na qual o policial, como cidadão, aparece a serviço da comunidade e não como uma força. É um serviço público, antes de ser uma força pública”.

Polícia Comunitária é uma filosofia organizacional assentada na idéia de uma Polícia prestadora de serviços, agindo para o bem comum para, junto da comunidade, criarem uma sociedade pacífica e ordeira. Não é um programa e muito menos Relações Públicas”.

Polícia Comunitária é o policiamento mais sensível aos problemas de sua área, identificando todos os problemas da comunidade, que não precisam ser só os da criminalidade. Tudo o que se possa afetar as pessoas passa pelo exame da Polícia. É uma grande parceria entre a Polícia e a Comunidade”.

A Polícia Comunitária resgata a essência da arte de polícia, pois apóia e é apoiada por toda a comunidade, acolhendo expectativas de uma sociedade democrática e pluralista, onde as responsabilidades pela mais estreita observância das leis e da manutenção da paz não incumbem apenas à polícia, mas, também a todos os cidadãos.

É uma filosofia e estratégia organizacional que proporciona uma nova parceria entre a população e a polícia. Baseia-se na premissa de que tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar juntas para identificar, priorizar e resolver problemas contemporâneos tais como crime, drogas, medo do crime, desordens físicas e morais, e em geral a decadência do bairro, com o objetivo de melhorar a qualidade geral da vida na área. (TROJANOWICZ, Robert; BUCQUEROUX, Bonnie. Policiamento Comunitário: Como Começar. RJ: POLICIALERJ, 1994, p.04).

OBJETIVOS DA POLÍCIA COMUNITÁRIA

Polícia Comunitária visa à participação social, ou seja, o envolvimento de todos os cidadãos que morem, estudem ou trabalham na comunidade e que possam, voluntariamente, auxiliar a instituição policial na busca de soluções que atuem sobre as causas da violência e da criminalidade, proporcionando desta forma mais segurança e uma maior qualidade de vida.

PRINCÍPIOS DA POLÍCIA COMUNITÁRIA

As ações desempenhadas pelas organizações policiais para o desempenho da filosofia de Polícia Comunitária atende aos seguintes princípios:

  • É uma filosofia cuja base é a comunidade.
  • O foco recai sobre a resolução criativa dos problemas.
  • A polícia comunitária promove o desenvolvimento da confiança mútua.
  • Estabelece um raio de ação mais abrangente para o policial.
  • Enfatiza a participação e o envolvimento da comunidade.
  • Antecipa-se e não é meramente reativa.
  • Presta auxílio onde é necessário.
  • Melhora o policiamento tradicional.
  • Envolve todo mundo.
  • Personaliza o serviço policial

FUNÇÕES DE UM POLICIAL COMUNITÁRIO

  • Desempenhar as missões institucionais de um profissional de segurança pública.
  • Policiamento preventivo,  palestras,  reuniões com a comunidade, prestação de contas,  operação cidadania, visitas e orientações,  vizinho solidário.
  • Reunir e relatar informações confidenciais relacionadas com o bairro que lhe é atribuído.
  • Proporcionar a sensação de segurança para os cidadãos e o comércio do bairro de sua responsabilidade.
  • Trocar informações com os comerciantes, empresários, e cidadãos do bairro e ajudá-los a identificar áreas problemáticas ou outras preocupações.
  • Planejar e executar apresentações orais sobre tópicos que tenham sido identificados com preocupação ou problemas no bairro.
  • Pesquisar e criar materiais para preparar resumos, folhetos, e programas de treinamento de cidadãos, bem como programas de treinamento em serviço.
  • Conduzir entrevistas com representantes da imprensa.
  • Zelar pelo cumprimento das leis locais e estaduais, principalmente as relacionadas com o bairro de sua responsabilidade.
  • Atender, quando disponível, às chamadas de serviço dentro do bairro que lhe é atribuído, e investigar os relatos de ocorrências criminosas do bairro.
  • Dirigir pesquisas sobre segurança, completar relatórios sobre risco de crimes.
  • Preparar relatórios semanais de avaliação, descrevendo o cumprimento das tarefas relacionadas com as metas no bairro.
  • Coordenar os serviços das diversas instituições governamentais e privadas, em um esforço para resolver problemas identificados no bairro.
  • Organizar os recursos da comunidade, do departamento policial e de outras instituições, para reduzir o crime e atender às necessidades apropriadas da comunidade.

MANDAMENTOS DE UM POLICIAL COMUNITÁRIO

  • Descobrir os anseios e as preocupações da comunidade.
  • Incentivar o cidadão a participar na identificação, priorização e solução dos prblemas na sociedade.
  • Conhecer a realizade da comunidade onde está servindo o profissional de Segurança Pública e fazer com que o cidadão o conheça.
  • Trabalhar de modo a prevenir as ocorrências.
  • Agir de acordo com a Lei e a étca policial, com responsabilidade e com confiança ao atender a comunidade.
  • Atuar como chefe de Polícia local com responsabilidade.
  • Dedicar atenção especial na proteção das pessoas mais vulneráveis, como jovens, idosos, pobres, deficientes, etc.
  • Confiar no seu discernimento, sabedoria, experiência e sobre tudo na formação que recebeu, pois isso permitirá encontrar soluçõess alternativas e criativas que ampara os problemas da comunidade.
  • Manter-se atualizado, pois a comunidade e a Polícia estão em constante evolução.
  • Integrar-se na comunidade e ajudar as pessoa a resolver os problemas pacificamente.

O QUE NÃO É?

A Polícia Comunitária, por ser uma filosofia de trabalho recente em nosso país, faz com que surjam alguns questionamentos equivocados, os quais destacamos a seguir:

  • Não é uma técnica policial ou programa.
  • Não é um estilo de policiamento limitado ou especializado.
  • Não é necessariamente o patrulhamento a pé ou de bicicleta.
  • Não é condescendente com o crime.
  • Não é uma unidade ou um grupo especializado.
  • Não é algo que possa ser imposto de cima para baixo.
  • Não é uma mera assistência social.
  • Não é uma panacéia, a solução de tudo.

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: